segunda-feira, 4 de junho de 2018

Indignação pela morte da enfermeira palestina Razan Najjar, assassinada por soldados israelitas


Razan Najjar
"Com as nossas almas e o nosso sangue vai resgatar a nossa mártir Razan", gritou a multidão para o cortejo fúnebre que passava com o corpo de Najjar envolvido numa bandeira palestina. O cortejo passou perto da casa Najjar, na cidade de Juza, perto da fronteira com Israel.

"Eu quero que o mundo ouça a minha voz ... Que culpa tem a minha filha?" Perguntou Sabrin, a mãe de Razan, durante o funeral. Najjar, 21 anos, a mais velha de seis filhos, foi baleada no pescoço enquanto tratava de pessoas feridas acerca de cem metros da fronteira entre Gaza e Israel, segundo o centro palestino de direitos humanos Al Mezan.

O exército israelita atira sobre qualquer um que se aproxime da fronteira a menos de 300 metros de distância, mas, nos protestos dos últimos dois meses, soldados dispararam contra pessoas que estavam mais distantes – segundo depoimentos de jornalistas estrangeiros presentes, bem como manifestantes e ONGs.

O ministro da Saúde palestino, Jawad Awwad, descreveu a morte de Najjar como um "crime de guerra" e explicou que o exército israelita atirou apesar do uniforme médico – informação que Al Mezan corroborou.

Izzat Shatat, 23 anos, voluntário de saúde, explicou que ele e Najjar iriam anunciar seu compromisso no final do Ramadã, o mês sagrado do jejum muçulmano. "Ela sempre ajudou toda a gente. Ela nunca se recusou a ajudar. Era a primeira a correr quando alguém era baleado ", disse Shatat.

BALANÇO DE 118 MORTOS

No protesto de ontem houve dois mortos e pelo menos 40 feridos. Desde que os protestos em Gaza começaram em 30 de março pelo direito de retorno dos refugiados, 118 palestinos foram mortos pelo exército israelita, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza.

(Resumo em português do texto original aqui)

quinta-feira, 31 de maio de 2018

A hipocrisia da Igreja católica, dos partidos de direita (e do PCP)



«Sobre a eutanásia e o "abafador"


A Eutanásia e o abafador. No romance A Mulher do Legionário referi a figura do "abafador", um profissional da eutanásia, reconhecido pela comunidade e pela igreja católica: 

«O meu avô aguardava que a chama da sua fogueira se extinguisse, mas era um europeu e não o podíamos tratar como a um ancião africano e deixar que se cumprissem as ordens dadas pela natureza aos seus antepassados. Dava a ideia de abandono, parecia mal. E também já não estávamos no tempo da impiedosa coragem do apressamento do fim, como faziam antigamente os parentes ao chamarem o abafador, o homem forte da povoação, que abraçava os moribundos e lhes comprimia o peito para abreviar o sofrimento.»

A figura do "abafador" surge na personagem Alma Grande nos Novos Contos da Montanha, de Miguel Torga.

"Segundo se consta, no tempo dos Cristãos Novos, existia uma figura - o Abafador - cuja função consistia em acabar com o sofrimento alheio. Quando um moribundo se encontrava às portas da morte, o Abafador era chamado para cumprir o seu desígnio e pôr fim à sua agonia. O prestígio, e a função social, do Abafador eram enormes e quem tinha a seu cargo essa importante missão era alguém muito respeitado na comunidade."»

Glifosato: O veneno que ainda se utiliza em Portugal


Os pesquisadores do Instituto Ramazzini: "Pensava-se que doses pequenas fossem isentas de riscos e que o organismo tivesse condições de eliminá-las. A nossa análise da urina dos ratos mostra o contrário".

No dia em que a Suíça coleta 100 mil assinaturas para um referendo que proíbe todos os pesticidas, sem exceção, em Bruxelas Instituto Ramazzini reabre o caso do glifosato, o herbicida mais difundido no mundo, suspeito de ter efeitos nocivos para a saúde bem além do que reconhecem as autoridades oficiais. Pesquisadores do Instituto de Bolonha - estruturado como uma cooperativa social e financiado por contribuições voluntárias dos cidadãos – apresentaram os dados preliminares de um estudo sobre os efeitos do glifosato em ratos. "Alguns desses dados já foram aprovados para publicação na revista Environmental Health. Outros ainda estão em processo de aprovação. Mas, diante de um risco para a saúde pública, não podíamos mais esperar. Tivemos que falar", explica Fiorella Belpoggi, diretora da área de pesquisa do Ramazzini.

Os dados que emergiram dos estudos já aprovados, que serão publicados em 29 de maio, referem-se ao acúmulo do pesticida no corpo. "Pensava-se que doses pequenas fossem isentas de risco e que o organismo tivesse condições de eliminá-las", explica Belpoggi. "Nossa análise em urina de ratos mostra o contrário. O glifosato se acumula no organismo. Quanto maior a exposição, mais os níveis aumentam." No Ramazzininão administraram doses elevadas de pesticida. Significativamente, expuseram suas cobaias ao que os Estados Unidos indicam como a "ingestão diária aceitável": 1,75 microgramas por quilo de peso corporal por dia, adicionado à água oferecida ao animal. Os limites europeus são bem mais baixos: 0,5 microgramas. "Mas a ordem de grandeza do problema continua a mesmo", observa Belpoggi. Trata-se de doses que cada um de nós poderia legalmente ingerir todos os dias.

Um segundo problema - cada vez mais documentado pelos estudos aprovados pela Environmental Health – diz respeito ao microbioma: o conjunto de microorganismos que vivem em nosso organismo (especialmente no trato digestório) e sobre os quais a medicina atual nunca para de descobrir novas funções importantes para a saúde . Em filhotes de ratos que beberam glifosato na água, em uma idade correspondente nos seres humanos à pré-puberdade, o microbioma resultava mais pobre de bactérias Firmicutes e mais rico de Bacteroidetes. Os efeitos dessa alteração na saúde não são especificados. A composição exata de nosso microbioma ainda apresenta aspectos a serem esclarecidas e os pesquisadores de Bolonha, em seu estudo piloto, limitam-se a ressaltar o problema. A próxima etapa do Ramazzini será justamente de ampliar o número de cobaias e de submeter os ratos a pelo menos três diferentes doses diferentes de glifosato, para ter uma informação mais precisa sobre os seus efeitos.

Mais preocupantes - mas ainda não aprovados para publicação na revista científica - são os estudos sobre os efeitos tóxicos do glifosato no DNA e sobre a saúde reprodutiva dos animais. O Ramazzini, sobre esses pontos, não forneceu nenhuma pesquisa escrita, mas listou os resultados verbalmente na conferência de imprensa organizada em Bruxelas em colaboração com o Grupo dos Verdes do Parlamento Europeu. "Nas células da medula óssea dos ratos, especialmente os mais jovens, notamos a quebra frequente do DNA. Os mecanismos de reparação celular são capazes de remediar esse dano, mas não sabemos com que grau de eficiência." A observação não oferece um contributo sólido para a dúvida mais grave que paira em torno do glifosato: sobre a sua carcinogenicidade. "Nós ainda não estamos em condições de responder à pergunta se o pesticida aumenta o risco de câncer. Precisamos de mais pesquisa e mais dados", confirma Belpoggi. "Considerando que nossos estudos ainda estão em curso, ainda não podemos oferecer indicações aos legisladores. Mas o que vimos, ainda que parcial e limitado, que não agradou. Não seria eticamente correto para um pesquisador manter esses dados na gaveta".
 
(...)

domingo, 22 de abril de 2018

Curar doentes é mau para o negócio, diz a Goldman Sachs




No relatório "A revolução do genoma", os analistas da Goldman Sachs perguntam se "curar doentes é um modelo de negócio sustentável" e indicam às empresas de biotecnologia que as soluções podem afetar o "fluxo permanente de receitas".

A Goldman Sachs, um dos maiores grupos de investimento do mundo, levantou um debate, já por muitos conhecido, dirigido à indústria farmacêutica sobre a rentabilidade económica de curar doenças, com a apresentação do seu relatório "A revolução do genoma", a 10 de abril.

Mais concretamente, a Goldman Sachs refere-se ao setor da biotecnologia, especialmente às empresas envolvidas no tratamento pioneiro da terapia genética, como se conhece o processo de substituir genes defeituosos por genes saudáveis, adicionar genes novos para ajudar o corpo a combater ou tratar doenças, ou desativar genes problemáticos.
 
No relatório, citado depois pela CNBC, a Golman Sachs começa por perguntar se “curar doentes é um modelo de negócio sustentável“, para responder taxativamente: “Não”, afirma a RT.

No documento, a analista Salveen Richter disse que “o potencial de oferecer curas com uma só dose é um dos aspetos mais atrativos da terapia genética“. Por outro lado, acrescenta, “estes tratamentos oferecem uma perspetiva muito diferente em comparação com as terapias crónicas”.

Assim, de acordo com Richter, “apesar de esta proposta ter um enorme valor para os pacientes e para a sociedade”, isso poderia representar “um desafio para os cientistas que trabalham com medicina genómica e procuram um fluxo de negócio sustentável“.

Qual é a solução?

No relatório, é dado como exemplo os tratamentos da farmacêutica Gilead Sciences para a hepatite C, que alcançaram uma cura de mais de 90% dos afetados, nos EUA.

Graças à eficácia da medicina desta empresa, em 2015, as vendas do tratamento alcançaram os 12.500 milhões de dólares – mais de 10 mil milhões de euros. Mas as previsões para este ano ficam-se pelos 4 mil milhões de dólares – mais de 3 mil milhões de euros.

O êxito do medicamento esgotou gradualmente o grupo disponível de pacientes“, escreveu a analista, explicando que, como consequência, “também diminui o número de portadores capazes de transmitir o vírus a novos pacientes, pelo que o grupo de incidentes também diminuiu”.

Neste sentido, Richter assinala que “onde um grupo de incidentes permanece estável (por exemplo, no cancro), o potencial para uma cura traz menos riscos à sustentabilidade do negócio”.

Na análise, a Goldman Sachs apresenta três soluções possíveis para que a terapia genética seja um negócio. O primeiro passa por dirigir-se a mercados grandes, como a hemofilia, que cresce aproximadamente entre 6% a 7% por ano.

O segundo é abordar os transtornos com alta incidência, como a atrofia muscular espinal, que afeta as células da medula espinal, o que influencia a capacidade de caminhar, comer ou respirar.

Por último, a Goldman Sachs sugere uma aposta na inovação constante e expansão do portefólio, tendo em conta que há centenas de doenças de retina hereditárias, como as formas genéticas de cegueira.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Tal Espanha, tal Portugal


Los hospitales privados siguen creciendo a costa de los presupuestos públicos
La penetración del sector privado, parasitando los presupuestos públicos, es cada vez mayor. El 43 % de los hospitales privados (193) tienen conciertos con la sanidad estatal .

Según el informe “Sanidad Privada, Aportando valor. Análisis de situación 2017”, elaborado por la Fundación IDIS (fundación de la patronal de hospitales privados), la sanidad privada sigue su tendencia creciente (a cargo del presupuesto estatal, mientras se reduce el gasto en los hospitales de gestión directa).
Según dicho informe, en 2016, los centros privados se repartieron 1.578 millones de euros públicos por conciertos en 2016, gracias al artículo 90 de la Ley General de Sanidad (artículo que permite derivar los pacientes y procesos rentables del sector púbico al privado, mientras éste se infrautiliza, y que ningún partido polítco pide derogar), lo que supuso el 25,6% de su facturación durante el citado ejercicio, que alcanzó los 6.175 millones de euros. Es decir, uno de cada cuatro euros ingresados por estos hospitales en 2016 provino de presupuestos públicos.
El IDIS no recoge los ingresos del otro gran grupo de hospitales privados: los que son propiedad de la iglesia Católica, que tienen una facturación anual cercana a los 4.000 millones de €, y gestionan mÁs del 27 % de las camas privadas existentes a nivel estatal (San Juan de Dios, Hermanas Hospitalarias, Hospitales Católicos de Madrid, etc).
La penetración del sector privado, parasitando los presupuestos públicos, es cada vez mayor. El 43 % de los hospitales privados (193) tienen conciertos con la sanidad estatal.
Por comunidades, Cataluña, cuyo modelo de privatización es el más antiguo y el más variado en cuanto a fórmulas jurídicas, hasta el punto de que el 69 % de los hospitales son privados, es la que más dinero dedica al sector privado: el 25,1% en 2015.
Madrid le sigue en segundo lugar con un 12,4 % en 2015. Continúan Baleares y Canarias (10%), La Rioja (8,4%), Navarra (7,7%), País Vasco (6,8%), Murcia (6,4%), Asturias (6%), Galicia y Castilla-La Mancha (5,5%), Aragón (5,4%), la Comunitat Valenciana y Extremadura (4,5%), Andalucía (4,3%), Castilla y León (4%) y Cantabria (3,7%).

Enquanto em Portugal "não se passa nada", na Grécia é assim:


O escândalo Novartis que está a abalar a Grécia
«O "escândalo Novartis", os supostos subornos da multinacional farmacêutica suíça que envolvem importantes responsáveis políticos, está a abalar a Grécia e as conclusões do inquérito parlamentar podem influenciar de forma decisiva o resultado das próximas eleições.
O inquérito Novartis foi iniciado em dezembro de 2016 com base em informações do FBI e da justiça norte-americana, que recolheram testemunhos sobre práticas ilegais da filial grega da multinacional suíça.
A Novartis é suspeita de ter subornado alguns milhares de médicos mas também ex-primeiros-ministros, ministros da Saúde e outros responsáveis para obter uma posição dominante no mercado grego e vender os seus medicamentos a preço inflacionado. Os cofres do Estado terão sido lesados entre 1.000 milhões e 3.000 milhões de euros.
Entre os políticos suspeitos de envolvimento surgem nomes de topo da Nova Democracia (ND), o partido conservador agora na oposição: Adonis Georgiadis, atual vice-presidente; Antonis Samaras, antigo primeiro-ministro; Dimitris Avramopoulos, atual Comissário europeu para a Migração, Assuntos internos e cidadania, ex-ministro da Saúde, da Defesa e dos Negócios Estrangeiros entre 2009 e 2014 e ministro da Saúde entre 2006 e 2009; Panagiotis Pikrammenos, ex-primeiro ministro interino entre maio e junho de 2012.
No entanto, também surgem nomes ligados ao Pasok, os sociais-democratas gregos que com a ND dominaram a vida política do país entre 1974 e 2015: Evangelos Venizelos, ex-vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, e Andreas Loverdos, o antigo ministro da Educação.
Outro alegado alto responsável também envolvido é Yannis Stournaras (independente), ex-ministro das Finanças entre 2012 e 2014 no auge da "crise da dívida" e atual governador do Banco da Grécia. Todos os implicados rejeitaram as acusações.
"Pela primeira vez, existem políticos deste nível alegadamente envolvidos num jogo particularmente sujo, e que terão recebido 'luvas' da multinacional suíça no decurso da severa crise que atingiu o país", refere um jornalista em Atenas que segue a investigação.
"Mas existe outro aspeto, talvez mais sério. A Grécia é um país de referência em relação ao preço dos medicamentos para toda esta área da Europa do Sudeste e da Turquia. O que significa que se um medicamento da Novartis aumenta aqui, então é legal também aumentar o preço em todos os outros países da região".
O escândalo pode assim assumir proporções que extravasam as fronteiras gregas. "Foi por isso que a Novartis despendeu largas somas de dinheiro para corromper políticos e garantir os preços inflacionados", acrescenta.
Em 22 de fevereiro, o parlamento grego formou uma comissão parlamentar com representantes de todos os partidos para investigar estas alegações, e que poderá implicar um envolvimento da justiça.
O Governo de Alexis Tsipras, com a vantagem de ainda não estar envolvido em qualquer escândalo de corrupção, tem sido particularmente incisivo na revelação deste caso, que poderá constituir um "ponto de viragem" face às próximas eleições legislativa, previstas para 2019.
"Quando o escândalo começou a ser divulgado, a diferença entre a ND e o Syriza era mais de 10%, mas agora o Syriza começou a recuperar", indica.
Admite-se que o escândalo, com grande impacto mediático interno, atinja outros laboratórios farmacêuticos. Os preços dos medicamentos são fixados por uma comissão do ministério da Saúde onde têm assento representantes das grandes empresas farmacêuticas, que podem facilmente exercer pressão. Agora, pede-se um maior controlo para terminar com estes abusos.
Prevê-se que o escândalo Novartis continue a agitar a vida política grega. Entre o final de março e início de abril a comissão parlamentar deverá emitir as suas conclusões e decidir se os dez políticos acusados devem comparecer e ser julgados perante um tribunal especial.»
por Pedro Caldeira Rodrigues, enviado da Agência Lusa

domingo, 4 de março de 2018

Idosos de Estarreja com demência apresentam elevados valores de metais pesados no organismo

"Limpeza da poluição" no rio Tejo após descargas das celuloses - Na imprensa


Equipa de investigadores da Universidade de Aveiro conclui que quanto maior for a presença de elementos potencialmente tóxicos no organismo pior será o desempenho cognitivo.

Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) realizado com um grupo de idosos de Estarreja revelou que os participantes com demência eram os que tinham no organismo valores tóxicos mais elevados, nomeadamente de alumínio e cádmio.

Coordenada pelas investigadoras Marina Cabral Pinto e Paula Marinho Reis, da unidade de investigação Geobiociências, Geoengenharias e Geotecnologias (GeoBioTec) da Universidade de Aveiro, a investigação pretendeu esclarecer o nível de impacto que a exposição ambiental a elementos potencialmente tóxicos tem no desempenho cognitivo.

Para tal, foi escolhido um grupo de mais de 100 adultos e idosos, com idade superior a 55 anos, e residentes permanentes em Estarreja, uma cidade inserida numa área industrializada e onde se situa um dos principais complexos da indústria química do país. Alumínio, cádmio, cobre, chumbo, zinco e mercúrio foram alguns dos elementos químicos analisados na urina, sangue e cabelo dos participantes no estudo e aos quais foram realizados vários testes cognitivos.

A equipa de investigadores conclui que quanto maior for a presença de elementos potencialmente tóxicos no organismo pior será o desempenho cognitivo. Embora salvaguarde que a relação apresentada no estudo resulta apenas dos modelos estatísticos obtidos, sendo necessário garantir "que não se trata de um resultado fortuito", através de investigação adicional.

"Verificou-se que os participantes com pior desempenho cognitivo, equivalente a um estado de demência, apresentavam valores mais elevados de alguns elementos potencialmente tóxicos", aponta Marina Cabral Pinto, em comunicado. O projecto exploratório foi financiado pelo DRIIHM-Labex, através pelo programa Investissements d'Avenir.

A demência é uma doença sem cura e as causas do declínio cognitivo não são totalmente conhecidas. "Apenas uma reduzida percentagem dos casos clínicos tem etiologia genética, enquanto a larga maioria tem uma origem esporádica", lembra a coordenadora da investigação. Para além da idade, diversos outros factores, incluindo a exposição ambiental a elementos potencialmente tóxicos, "têm sido sugeridos como estando associados ao aumento de risco de desenvolvimento de demência e da doença de Alzheimer durante o envelhecimento".

O grupo estabeleceu, recentemente, uma parceria com a Universidade de Cabo Verde para um novo projecto de investigação dentro desta área. "A realização do projecto vai ser muito importante pois temos ilhas com maior potencial de exposição, como a ilha de Santiago, mas temos outras em que não há fontes de poluição conhecidas, como a ilha do Maio, por exemplo", antecipa Marina Cabral Pinto. Será "muito interessante, verificar se há ou não diferenças no desempenho cognitivo dos idosos em ambientes tão diferentes", acrescenta.

Universidade de Aveiro, Lusa e Público