sábado, 30 de abril de 2016

Portugueses contaminados com herbicida potencialmente cancerígeno


Investigação revela concentrações de Glifosato vinte vezes superiores aos dos suíços ou dos alemães.

Há vários portugueses contaminados com glifosato, um herbicida que é potencialmente cancerígeno. A sua presença foi detectada com valores elevados no norte e centro do país, sendo que a concentração média por pessoa é cerca de "vinte vezes superior" às que são encontradas, por exemplo, em cidadãos suíços e alemães, segundo uma investigação da RTP.

O glifosato é o herbicida mais vendido em Portugal e está a ser inalado e ingerido por muitos portugueses. O herbicida foi inventado nos anos 70, pela multinacional americana Monsanto. Hoje em dia, só em Portugal, há mais de 20 marcas que comercializam glifosato, avança a estação pública.

O alerta sobre os perigos do herbicida soou a mais de mil de quilómetros de Portugal, em França. A Organização Mundial de Saúde, através da Agência Internacional de Investigação para o Cancro, estudou o glifosato durante um ano. E dezassete investigadores tomaram uma decisão unânime: classificar o glifosato como potencialmente cancerígeno.

O glifosato pode entrar no corpo humano através da ingestão de água e alimentos ou da inalação

Notícia aqui

Ler também: O Glifosato da Monsanto

 

domingo, 17 de abril de 2016

Contradição entre o sector privado e a saúde das pessoas


 
«Ainda a propósito do (hipotético) benefício que tem o sector privado na Saúde.

Nesta entrevista, o prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts (entrevista de 2013, que só li agora), se acha que o modelo de investigação norte-americano é melhor que o europeu, porque tem o sector privado a investir, por outro considera que há uma contradição de interesses entre o bem das pessoas e o bem do sector privado:

Mas se eles são rentáveis investigarão melhor.
Se só pensar em lucros, deixa de se preocupar com servir os seres humanos.

Por exemplo…
Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença …

E por que pararam de investigar?
Porque as empresas Farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação.

É uma acusação grave.
Mas é habitual que as Farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo.

Há dividendos que matam.
É por isso que lhe dizia que a Saúde não pode ser um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que o modelo europeu misto de capitais públicos e privados dificulta esse tipo de abusos.

Um exemplo de tais abusos?
Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas.

Não fala sobre o Terceiro Mundo?
Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado.

Os políticos não intervêm?
Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos.»

Retirado de "ladroesdebicicletas.blogspot.pt"

Entrevista completa em La Vanguardia
 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Reposição das 35 horas: ministro diz que SNS vai precisar de mais 1500 enfermeiros e 800 auxiliares


Diz o ministro da Saúde, para quem não saiba, de nome Adalberto Campos Fernandes, que a "passagem" às 35 horas semanais no SNS vai "custar mais 27 milhões de euros este ano", a partir de Julho se fizermos fé na promessa do primeiro-ministro, para o ano será o dobro, como se a reposição das 35 horas não fosse uma questão de justiça e não uma benesse, já que também se tratou de um roubo cometido pelo anterior governo pafioso. Fica-se com a ideia, atentando-se às palavras do ministro e à propaganda de toda a imprensa de referência, que são os trabalhadores que estão a tirar dinheiro ao estado e contratar mais técnicos de saúde, no caso, enfermeiros e assistentes operacionais, até parece uma chatice, uma despesa inconveniente.

"O SNS vai precisar de contratar mais 1500 a 1700 enfermeiros e 800 a 1000 assistentes operacionais por causa da passagem às 35 horas semanais a partir de Junho (Julho)" - diz o ministro -, até parece que o SNS tem gente a mais, que o governo até despediu funcionários quando se passou das 35 para as 40 horas e que nem há gente desempregada, desde enfermeiros a outros técnicos de saúde. Fica-se com a impressão de que a política seguida por este governo pouco ou nada difere da do anterior em relação à saúde, e para não dizer a todos os outros sectores do estado. Nem se percebe, atendendo a que o próprio ministro já afirmara, aquando da discussão do Orçamento do Estado, que há dinheiro: "uma almofada de 35 milhões de euros para a necessidade de eventuais contratações."

Diz também o ministro, cujo nome deve ser desconhecido para mais de metade dos cidadãos portugueses devido talvez ao seu cinzentismo e inépcia, que "a dívida total do SNS no final de 2015 era de dois mil milhões" de euros, acrescentando que "é importante estabelecer metas, mas também lembrar o ponto de partida", esclarecendo também que "o défice mensal registado até ao momento é inferior ao estimado"; o que não é admiração para ninguém devido ao facto de se continuar a poupar onde geralmente não se deve, ou seja no farelo e não na farinha. Porque se poupa com o pessoal e em outras despesas essenciais para o tratamento dos doentes e não se acaba com o financiamento enviesado ao sector privado através dos exames complementares de diagnóstico (a questão das colonoscopias está outra vez na berra) e não se combate a corrupção acabando com os outsourcings e, em particular, com os ajustes directos que movimentam muitos milhões por debaixo da mesa?

O low profile ministro da Saúde, parece que a figura foi escolhida para não criar grandes anti-corpos como aconteceu com o anterior Macedo ou os do tempo de má-memória do governo socrático, dá uma no cravo e duas na ferradura quando se trata, por exemplo, do recurso às empresas de prestação de serviços médicos. Diz não concordar, porque até terá dado "indicações que privilegiem a contratação directa com contratação para os quadros, a termo ou prestações de serviços"; no entanto, não acaba com esta forma de recrutamento de técnicos, que mais não é que uma forma negreira e imoral de contratação de trabalhadores em que essas empresas ganham mais por cabeça do que os próprios trabalhadores contratados, e uma forma ilícita de enriquecimento para vários lados.

Esta forma mafiosa de contratação tem-se mantido e desenvolvido, e pelos vistos continuará já que o governo não caba com estas empresas, porque possibilita o enriquecimento dos seus acionistas como daqueles que acolitados na administração pública a elas recorrem, muitas vezes por ajuste directo. É a corrupção no seu melhor, fomentada pelo estado/governo, envolvendo situações caricatas como aquela que ocorreu aqui há alguns anos com empresa contratada para o efeito no Hospital dos Covões, ainda antes da integração no CHUC, que depois se veio a saber, devido a contestação das empresas preteridas, que era pertença de um médico e de um enfermeiro que ali trabalhavam; o resultado foi o negócio ter sido anulado, como não podia deixar de ser tal era o escândalo, e o enfermeiro, por sinal enfermeiro-chefe, foi transferido de serviço, ninguém foi para o olho da rua com justa causa, o que teria acontecido se fosse em empresa privada. É o fartar vilanagem.

"Não há dinheiro" ou "a almofada é pequena", ou "ainda não saímos da crise" quando se trata de pagar aos trabalhadores segundo os seus direitos, de parte dos quais foram esbulhados em passado recente, mas só para alguns trabalhadores, porque para outros com maior poder reivindicativo ou melhor posicionados no campo da influência política o dinheiro parece não faltar. Enquanto os concursos para progressão na carreira de enfermagem se encontram mais que congelados (uma hipotética abertura de concurso para Enfermeiro Principal foi ventilada em 2014, ainda no tempo do governo PSD/CDS-PP/Coelho/Portas, pelo SEP porque tanto aqueles partidos como a direcção sindical estavam ambos em processo de campanha pré-eleitoral, em 2015 todos deixaram de falar no assunto), já para os médicos as progressões vão de vento em popa. Foi publicado mais um concurso para Assistente Graduado Sénior (destinado apenas a Assistentes Graduados, portanto, já especialistas) na carreira médica; para quem não saiba, as funções são as mesmas, muda apenas a denominação da categoria e o salário, no mínimo, transitam para cerca de 4000 euros (os abrangidos pela 40h do acordo de 2012) ou cerca de 5000 euros (dedicação exclusiva). Esta é mais uma maneira de fazer dos Enfermeiros (ou os sindicatos) estúpidos, e não só.

Não se percebe, e insistimos no assunto, que para a reposição das 35 horas, um direito que é nosso graças à nossa luta, não nos foi dado de bandeja, seja necessário contratar mais 1500 enfermeiros e 800 assistentes operacionais, sabendo nós que as carências são antigas, não são de agora, que a carga horária é excessiva, ao mesmo tempo que a gestão de pessoal é mal feita em muitos hospitais, onde serviços têm uma falta gritante e noutros o pessoal até se estorva, porque predominam as cunhas e os interesses - realidade fácil de ver, por exemplo, nos HUC -, e pela inutilidade das 40 horas em serviços de internamento, o que poderá ser um paradoxo - é ver 5 e 6 assistentes operacionais a olhar uns para os outros sem fazer nada no período de sobreposição dos turnos entre as 16h e as 17h. Claro que se esperamos pela contratação do número apontado pelo ministro de novos funcionários, e conhecendo o tempo e as peripécias que duram os concursos, podemos esperar sentados que nem no fim do mandato do governo, partindo do princípio que irá durar os 4 anos, serão repostas as 35 horas.

Parece que os sindicatos ligados à FP já cantam vitória antes do tempo, seria melhor esperar para ver porque, e o tempo nos dará razão, com este governo PS/Costa/Fernandes parece que vamos ter mais do mesmo, só que envolto em embalagem de conversa fiada de "não concordo" mas "não há alternativa", ou seja, na prática, não muito diferente do anterior. Mas não é só a semana das 35 que está em causa, e o pagamento a 100% das horas? e os dias de férias que nos roubaram? Para não falar do que está para trás, principalmente de uma diminuição salarial bruta que vai muitas vezes para além dos 25%, e agora com a entrega do IRS fica bem visível a real dimensão do que nos é roubado! Não nos estão a dar nada, apenas se limitam a repor uma pequeníssima parte do que nos foi roubado. "Roubado" é a palavra certa.

Os dirigentes sindicais têm também uma outra palavra a dar-nos, porque é que nunca inscreveram no caderno reivindicativo a exclusividade dos enfermeiros: quem trabalha no sector público, não trabalha no sector privado? Abriam-se mais postos de trabalho, tal como acontece com a redução do horário semanal, e até se aumentava o salário por força da exclusividade. Será o "lapso" devido a muitos sindicalistas da nossa praça também acumularem, ou já terem acumulado, vários tachos? A exclusividade e o horário das 35 horas, que deveria ser até de 32 horas, permitirão combater a degradação do SNS, no sector público, e o desemprego no sector privado, e neste obrigaria a que as empresas investissem mais na modernização e no desenvolvimento tecnológico como forma de redução de custos e para uma melhor competitividade; querer competir na base de mão-de-obra intensiva e barata é o caminho mais eficaz para a falência, ainda que adiada. Mesmo trabalhando mais 63 horas do que a média europeia ou mais 305 horas anuais do que os trabalhadores alemães, com as 35 horas e com duas folgas semanais, os trabalhadores portugueses terão no geral melhor saúde física e mental... e melhores cuidados de saúde.

Quanto a isso não haja a menor dúvida!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Quatro mil profissionais de saúde emigraram em 2015

Foto em esquerda.net

Segundo dados das ordens dos Médicos, Enfermeiros, Farmacêuticos e Médicos Dentistas, quase quatro mil profissionais de saúde terão abandonado Portugal em 2015. A emigração de profissionais de saúde disparou nos últimos oito anos.

Segundo o jornal "Correio da Manhã" desta segunda-feira, 28 de março de 2016, terão emigrado quase quatro mil profissionais de saúde, em 2015.

O jornal divulga dados das respetivas ordens, segundo as quais, em 2015 terão emigrado 2.768 enfermeiros, 475 médicos e 496 profissionais de farmácia. Em 2014, os números da emigração tinham sido de 2.873 enfermeiros, 394 médicos e 390 farmacêuticos.

A emigração de profissionais de saúde disparou desde 2007, tendo o número de médicos emigrados passado de 792 naquele ano, para mais de 5.000 em 2015, enquanto o número de enfermeiros disparou de 1.951, em 2007, para 13.000 em 2015.

21 mil profissionais de saúde emigrados
No final de 2015, havia 21.000 profissionais de saúde emigrados no estrangeiro (16%), segundo dados das ordens. Assim, segundo a ordem dos enfermeiros, há 67 mil enfermeiros registados, dos quais 13 mil emigrados (19%). A ordem dos médicos tem 45 mil profissionais registados, dos quais 5 mil na emigração (11%). Quanto a farmacêuticos, o número de pessoas inscritas na ordem é de 12 mil, das quais 2 mil na emigração (16%). Na ordem dos médicos dentistas há 9 mil pessoas registadas, das quais mil a trabalhar fora de Portugal (11%).

Segundo o jornal, os principais destinos de emigração dos profissionais de saúde são: Reino Unido, França, Holanda e Suíça.

Retirado de esquerda.net

segunda-feira, 28 de março de 2016

Médico burlado em greve de fome

 
«Um médico que presta serviço no Hospital de Santarém iniciou uma greve de fome há sete dias, a 21 de março, mas sem deixar de comparecer ao trabalho.

Este protesto simbólico "é um grito de revolta contra a justiça portuguesa", explica Rui Teixeira, clínico do quadro do Hospital de Abrantes, que conta ter sido burlado por uma empresa de prestação de serviços médicos.

Entre junho e setembro de 2014, a época de férias de Verão em que há mais escassez de recursos humanos, este clínico fez mais de 300 horas por mês nas urgências do Hospital de Santarém por conta da RPSM, Serviços Médicos Unipessoal, empresa que está hoje em processo de insolvência.

Só a Rui Teixeira, são-lhe devidos mais de 8 mil euros, mas há cerca de 30 colegas de profissão na mesma situação, por trabalho realizado nos hospitais de Santarém e Portalegre, num valor global que deverá ser superior a 150 mil euros.

Médicos na justiça para reclamar pagamento
Perante as tentativas infrutíferas de receber pelo seu trabalho e as mentiras sucessivas da sócia gerente da empresa, os médicos acabaram por recorrer à justiça.

Em abril de 2015, o Tribunal do Barreiro condenou a RPSM ao pagamento do dinheiro, mas a empresa entrou entretanto em liquidação e a gerente não tem qualquer bem em seu nome.

Ou seja, não só nenhum dos clínicos recebeu patavina até ao momento, como o caso ainda ganhou outros contornos que roçam o ridículo.

"Em dezembro passado, recebi uma carta do administrador de insolvência a exigir uma caução de 150 mil euros para continuar o processo de reclamação de créditos. Eu nem queria acreditar", afirma Rui Teixeira, que se diz revoltado "com esta teia que existe montada e que impede que se faça justiça.

O médico contou ainda à Rede Regional que as dívidas da empresa aos prestadores de serviços eram do conhecimento do Conselho de Administração do Hospital de Santarém e dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), que deu o seu aval à celebração de contrato com a RPSM.

"Se o hospital acabou por lhes pagar, onde está esse dinheiro?", questiona Rui Teixeira, que, aos 51 anos, nunca esperou ver-se nesta situação.

Greve de fome é para "levar até ao fim das minhas forças"

domingo, 27 de março de 2016

Crise leva mais portugueses ao psiquiatra

Imagem daqui

Maior impacto na saúde mental dos desempregados e idosos

«A crise teve um impacto na saúde mental dos portugueses, em particular nos desempregados, idosos e pessoas com baixos rendimentos, indica o projeto Smaile, coordenado pelo Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Coimbra.

Dois estudos que integraram o projeto Smaile registam um impacto da crise na saúde mental da população portuguesa, em especial nos desempregados, idosos e pessoas com baixos rendimentos, bem como pessoas com maior probabilidade de isolamento social, como é o caso de viúvos, divorciados e solteiros.

Um desses estudos, que analisa as consultas e internamentos em serviços de psiquiatria nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, refere que, entre 2007 e 2012, registou-se um aumento de consultas em psiquiatria nos solteiros (45 por cento), nos viúvos (30%), nos desempregados (63%), estudantes (63%), nos reformados (27%) e nos sem atividade (38%).

Nas consultas, registou-se ainda um aumento em ambos os géneros, e em especial nos grupos etários dos 30 aos 49 anos (mulheres 11% e homens 22%) e dos utentes com mais de 65 anos (mulheres 42% e homens 47%).

Essa investigação, a que a agência Lusa, teve acesso refere ainda que no mesmo período houve um incremento de internamentos para o grupo etário dos 50 aos 64 anos (17,7%), para o grupo dos divorciados (19,2%) e para os desempregados (43%).

A psiquiatra e uma das investigadoras do estudo, Graça Cardoso, sublinha que "em momentos de crise, há que garantir serviços e apoios para minimizar" os efeitos da mesma, afirmando que em Portugal "cortou-se a eito, com pouco cuidado e deixando desprotegidas as pessoas que já estavam mais vulneráveis".

Segundo a investigadora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, seria necessário um reforço dos serviços de saúde mental na comunidade e de cuidados primários, acompanhado por "políticas sociais dirigidas para os grupos mais vulneráveis".

Os resultados alcançados nos diferentes estudos integrados no Smaile "sugerem o impacto da crise na saúde mental da população", registado "na utilização dos serviços de saúde, nas condições económico-financeiras reportadas pelos indivíduos com pior saúde mental e na associação entre os padrões geográficos de mortalidade por suicídio e de privação material", sublinha a investigadora Paula Santana, coordenadora do projeto que procurou analisar a relação entre a crise e a saúde mental em Portugal.

Texto completo


quinta-feira, 17 de março de 2016

ADSE: Arnaut alerta para "forma matreira" de privatizar a Saúde

 
O "pai do SNS" está contra o alargamento da ADSE, uma medida agora proposta pelo governo. João Semedo fala em "conflito de interesses" do presidente da comissão nomeada para estudar a reforma do sistema.

Em declarações ao jornal i, António Arnaut ataca a proposta do PS para alargar o subsistema de saúde dos funcionários públicos. "Estou incomodado e vou dizê-lo ao ministro da Saúde", afirma o "pai do SNS", defendendo que "o PS não pode alinhar com os que, de forma ardilosa, querem enfraquecer o SNS e torná-lo um sistema apenas para os mais pobres".

António Arnaut lembra ainda que quando se fundou o SNS, o objetivo era que os funcionários públicos beneficiários da ADSE se viessem a integrar no sistema. "O alargamento da ADSE vai contra o movimento da História que é o de assegurar a igualdade entre todos os cidadãos nos cuidados de saúde", defende.

João Semedo: Nomeação de Pita Barros "tresanda a conflito de interesses"

Também em declarações ao i, o ex-coordenador do Bloco critica a nomeação feita pelo ministro da Saúde para liderar a comissão sobre reforma da ADSE. Para João Semedo, Pedro Pita Barros está nomeado para dois cargos que são incompatíveis. "Foi escolhido para liderar o futuro centro de informação e formação na área da Saúde, vocacionado para a preparação de novos médicos, uma parceria entre a Universidade Nova e o grupo Mello. O centro vai funcionar no novo hospital daquele grupo privado, o hospital CUF Tejo, um investimento superior a 100 milhões, com inauguração prevista para 2018", regista Semedo.

Para o ex-coordenador do Bloco, a nomeação de Pita Barros para presidir à comissão sobre o futuro da ADSE "tresanda a incompatibilidade e a conflito de interesses", uma vez que "sendo a ADSE uma das principais fontes de receita dos hospitais privados, a escolha de alguém tão envolvido com um dos maiores grupos privados da saúde é muito pouco recomendável".

"Como aceitar as suas propostas, se quem a ela preside tem, objetivamente, interesse no volume de receitas canalizadas pela ADSE para o grupo privado para o qual trabalha?", questiona Semedo, concluindo que "a doutrina Maria Luís Albuquerque parece ter adeptos no Ministério da Saúde".

Ver em esquerda.net e aqui