domingo, 31 de maio de 2015

O número de enfermeiros portugueses a trabalhar no Reino Unido aumentou cinco vezes em quatro anos



Raquel Andrade

«Recém-licenciados, com menos de 29 anos, solteiros, à procura do primeiro emprego e recrutados por uma agência inglesa: eis as características mais comuns dos enfermeiros portugueses que emigraram para o Reino Unido e que lá trabalham atualmente. O perfil é traçado pelo Observatório da Emigração, que publicou esta terça-feira o artigo “Enfermeiros Portugueses no Reino Unido 2014”.

O número de portugueses a trabalhar como enfermeiros no Reino Unido aumentou cinco vezes em quatro anos. Só que até agora pouco se sabia sobre eles. Que idade têm? O que os leva a partir? Já trabalhavam em Portugal ou acabaram de sair da faculdade? Tencionam voltar? Foi a essas perguntas que Nuno Pinto, enfermeiro português a viver há dez anos no Reino Unido, quis responder. No portal que ele próprio ajudou a criar – “Diáspora dos Enfermeiros” – lançou um inquérito ao qual responderam 349 enfermeiros, o que corresponde a cerca de 11% do total de portugueses inscritos na Ordem dos Enfermeiros no Reino Unido (3.155), embora nesse número possam estar incluídos casos de quem já tenha regressado a Portugal ou tenha emigrado para outros países.

Com base nas respostas ao inquérito, conclui-se que 81% dos enfermeiros têm até 29 anos. Só 15% têm idades entre os 30 e os 47 anos. “Estamos perante uma população de profissionais maioritariamente composta por jovens”, lê-se no artigo de análise ao inquérito, elaborado em colaboração com o Observatório da Emigração e publicado precisamente nesta terça-feira em que se assinalou o dia internacional do enfermeiro.


Os dados mostram que do total de inquiridos 80% são solteiros, 11% casados e 6% vivem em união de facto. Quase três quartos dos enfermeiros terminaram o curso depois de 2009. Metade estava à procura do seu primeiro emprego e a larga maioria (82%) foi trabalhar para o Reino Unido através de agências empregadoras, sobretudo inglesas.

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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Morrem cerca de 15 portugueses com pneumonia por dia



Teles de Araújo 

De facto temos anualmente um número de casos de pneumonia que ultrapassa os 150.000 e que motivam mais de 40.000 internamentos, dos quais resultam mais de 400.000 dias de internamento (dados da ACSS e da DGS).

A gravidade da situação é ainda sublinhada pelos dados divulgados pela Comunidade Europeia, onde se constata que nos 28 países a mortalidade média por pneumonia é de 13,0 por 100.000 habitantes, ao passo que em Portugal é de 26,6 por 100.000 (só ultrapassada pelo Reino Unido e Eslováquia). Dito doutra forma: por dia morrem cerca de 15 portugueses com pneumonia.

As formas mais graves de pneumonia ocorrem em doentes internados e entre eles 1 em cada 5 morrem por esta causa.

Mais, nem o número de internamentos por pneumonia, nem o número de óbitos têm diminuído. Antes pelo contrário os números mostram, em 10 anos, uma tendência para se agravarem: os óbitos aumentaram 16,7% e os internamentos 14,1%.

Esta situação terá certamente múltiplas causas, para além do envelhecimento da população. É uma realidade gritante que não pode ser negada e que impõe a definição de novas estratégias de combate a esta situação.
A maioria das pneumonias são causadas pelo pneumococo, bactéria contra a qual existe vacina eficaz, que ainda não faz parte do Plano Nacional de Vacinação. Estudos noutros países demonstraram que a vacinação contra o pneumococo não só impede a doença pneumocócica na criança como reduz esse reservatório da bactéria, diminuindo, a prazo, a doença no adulto. A Fundação tem defendido junto das entidades de saúde e da Assembleia da República a inclusão da vacina no Plano Nacional de Vacinação e a comparticipação alargada, ou mesmo gratuitidade, para os indivíduos com mais de 50 anos ou sofrendo de doenças crónicas ou que condicionem depressão da imunidade.

Certamente que a existência de resistências aos antibióticos será importante para esta situação. Será necessário que todos se convençam que o uso destes importantes fármacos deve ser reservado às infecções por bactérias e que devem ser usados correctamente.

As pneumonias são um problema grave nos doentes internados. Há que reforçar as medidas de controle da infecção dentro dos hospitais, com o empenhamento de todos os profissionais de saúde.

Tão elevada mortalidade intra-hospitalar por pneumonia sugere que muitos casos poderão chegar tardiamente aos hospitais. Contudo existem critérios clínicos que permitem aferir a potencial gravidade da doença e que todos os médicos devem utilizar. Para os doentes com esses critérios poderá haver vantagens na criação duma linha prioritária de acesso a cuidados hospitalares, em serviços habilitados para os tratarem.

É pois urgente definir um conjunto de medidas e de estratégias que permitam minimizar o problema das pneumonias em Portugal.



quinta-feira, 30 de abril de 2015

Nos 35 anos do SNS: Podem limpar as mãos à parede


Há 107 hospitais privados. Faltam seis para igualar o público

Em dez anos os hospitais privados cresceram nas consultas, no número de camas, nas urgências, nos exames de diagnóstico, no número de unidades. São quase tantas como as do SNS.

Entre 2002 e 2013 os hospitais privados passaram de 94 para 107. No público são 113, a que se juntam mais seis hospitais prisionais ou militares, mas que não são se acesso universal. O caminho de crescimento do privado é o inverso do feito pelo serviço público.

O retrato é feito pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a propósito do Dia Mundial da Saúde que se celebra hoje. Entre 2002 e

2013 o número total de hospitais no país passou de 213 para 226. Um crescimento feito à custa do setor privado, que no mesmo período ganhou terreno onde o SNS perdeu. Ganhou 2000 camas - resultado de mais hospitais - quando o SNS perdeu 3700, passou de 460 mil urgências para 900 mil, de 1,6 milhões de consultas para 5,1 milhões. Nos exames e análises que ajudam a fazer o diagnóstico os atos mais que triplicaram.

Para Ana Escoval, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, o retrato vem confirmar a política desenhada nos últimos anos. "Sabemos que este governo tem apetência para o alargamento da oferta privada em detrimento do público", aponta, confessando não estar espantada com os números. Porquê? "Há duas questões fundamentais. Por um lado, a aposta na canalização das verbas da ADSE para o 

privado, pelas taxas moderadoras mais baixas e redução dos preços praticados - em alguns privados as pessoas pagam menos taxas moderadoras do que se for a um público -, por respostas muitas vezes mais céleres. Por outro, quando se tem verdadeiramente um problema de saúde e as consultas estão mais demoradas, as listas de espera são maiores, procuram-se alternativas que hoje estão disponíveis no privado", refere dando o exemplo das urgências no inverno, também reflexo da falta de médicos em algumas áreas.

Ana Maia - DN 08/04/2015
2002 a 2005 - Luís Filipe Pereira; 2005 a 2008 – Correia de Campos; 2008 a 2011 – Ana Jorge; 2011 – 2015 Paulo Macedo.

Um feito dos autodenominados partidos do arco governativo. Uma autêntica obra do regime. Só faltam seis, podem limpar as mãos à parede.
In: Saude SA

Ritalina: hiperactividade, educação ou negócio?

por João Paulo

Em democracia não há territórios sagrados, apesar de existirem algumas reservas, na sociedade não médica, à entrada na esfera clínica. Normalmente, quem arrisca, leva com uma bateria de batas brancas em cima que, com argumentos, quase sempre básicos, acaba por intimidar.

Aviso, portanto o leitor, de que não é minha intenção entrar na discussão médica sobre a Ritalina, até porque, ao ler parte da informação oficial disponível, fiquei suficientemente assustado, para nem tentar perceber o mecanismo da droga mais comum nas escolas, por estes dias. O meu olhar é o de Professor.

Nas nossas escolas a quantidade de crianças medicadas é absolutamente assustadora – quase não há turma em que dois ou três meninos não tome algum tipo de medicação para a hiperactividade. E, diz-me o senso comum, que não é possível que cerca de 10% das nossas crianças sejam portadoras desta “doença”. Não é possível.

E, parece-me que há três  factores que contribuem para este manifesto exagero da Ritalina nas escolas:
a) a sociedade em geral e as famílias em particular, que não conseguem educar. Se até há uns anos, a sociedade depositava todas as responsabilidades formativas na escola, agora a situação tornou-se ainda pior com a destruição total que Pedro Passos Coelho promoveu junto da unidade nuclear da nossa sociedade – a família;
b) a escola de Nuno Crato, que, com menos currículo, com menos diversidade, com mais exames e centrada nos conteúdos, afastou a escola dos alunos, das aprendizagens e promoveu a indisciplina, o conflito a instabilidade.
c) o negócio. O infarmed diz que em 2013 foram vendidas, em Portugal, duas caixas de Ritalina. Mas, no mesmo documento onde se refere esta barbaridade, é também apresentado um valor – sete milhões e meio de euros é o total do negócio deste princípio activo.

Ora, perante isto, importa perguntar:
Se a Ritalina não serve às crianças, a quem interessa drogar os nossos alunos?


Original em  Aventar

domingo, 19 de abril de 2015

Enfermeiras tiveram de espremer leite para provarem estar a amamentar



A porta-voz do BE defendeu alterações legislativas para acabar com os atentados contra a dignidade das mulheres e pediu esclarecimentos ao ministro da Saúde sobre as enfermeiras que tiveram de espremer leite para provarem estar a amamentar.

"É urgente que o ministro da Saúde esclareça o que aconteceu [em dois hospitais públicos do Porto] e garanta que não se repete. O problema dos hospitais públicos não exige alteração da lei, exige uma alteração de Governo, porque este já deu provas de que, quando chega à saúde e aos direitos do trabalho, não é um governo capaz e não age de boa-fé", frisou Catarina Martins, em Espinho, distrito de Aveiro, à margem de uma arruada contra a austeridade.


Defendendo que, no setor privado, é necessária uma lei com "mão pesada" sobre quem "atentar contra dignidade das mulheres", a bloquista reagia à notícia avançada pelo jornal Público de que duas enfermeiras, uma do Hospital de Santo António e outra do São João, ambos no Porto, se queixam de terem tido que comprovar às entidades laborais que estavam a amamentar "espremendo leite das mamas à frente a médicos de saúde ocupacional".

terça-feira, 14 de abril de 2015

Aviso aos filhosdaputa que nos governam



por João José Cardoso

É bom que vejam a reportagem da Ana Leal, que ontem foi exibida pela TVI. À partida estais-vos na tintas: são hospitais públicos, os privados florescem, é coisa para pobres.

Mas há um detalhe, ó filhosdaputa. São serviços de urgência. Ora não há privados que cubram as urgências de um país, pelo simples facto que este lado do negócio apenas dá lucro em Lisboa e Porto e mesmo assim não cobre todas as necessidades. E depois os serviços de emergência médica não vos vão diferenciar se vos estampardes numa estrada, se tiverdes um ticoteco na rua, uma emergência, portanto. Não estou a ver uma dessas equipas que vai às estradas, também eles trabalhando em péssimas condições, a pedir de imediato um helicóptero porque se trata do sr. ministro, ou a reconhecer no focinho coberto de sangue um secretário de estado. Vai daí, em caso de azar, e ninguém está livre dele, trigo limpo farinha amparo, ireis para estas urgências como os outros. E arriscais-vos mesmo a ficar numa maca entalada entre outras num corredor, a serdes assistidos por um enfermeiro para 30 doentes, a ter o único médico capaz de vos tratar ocupado com outros doentes. De nada valerá, depois, um secretário de estado gritar que os médicos e enfermeiros eram comunistas. De nada valerá para vocês, e muito menos para a vossa família.

Resta-vos, depois da razia feita sobre o Serviço Nacional de Saúde, uma hipótese, é claro: não sair de casa. Mas é aborrecida.

Retirado daqui

quinta-feira, 12 de março de 2015

(Com vontade de proibir a greve) Tribunal Arbitral obriga enfermeiros a alterar serviços mínimos



«"Inexplicavelmente, ao final de 20 anos de serviços mínimos negociados entre o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e os sucessivos governos, um juiz presidente do Tribunal Arbitral decidiu, unilateralmente, alterar os serviços mínimos e o número de enfermeiros para os assegurar, nas instituições de saúde", refere o sindicato em comunicado.

Em declarações à agência Lusa, a dirigente sindical Guadalupe Simões salientou que nem as instituições de saúde nem o Ministério contestaram os serviços mínimos e o número de enfermeiros que os assegura.

A "decisão unilateral" do Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social determina que têm de cumprir os serviços mínimos, em cada turno, o mesmo número de enfermeiros que esteve de serviço no domingo anterior à greve.

Segundo Guadalupe Simões, este número é bastante superior ao que vigora há 20 anos nos serviços mínimos cumpridos nas várias greves dos enfermeiros.

"Sendo público e notório que, nas greves dos enfermeiros, os atuais serviços mínimos e número de enfermeiros para os assegurar garantem, há mais de 20 anos, a satisfação das necessidades sociais impreteríveis, esta decisão só é compreensível como tendo o objetivo de boicotar a greve dos enfermeiros", comenta o sindicato.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses vai juntar-se na sexta-feira à greve da função pública e, na área da saúde, também a Federação Nacional dos Médicos já apelou aos clínicos para aderirem à paralisação.

Notícia JN