segunda-feira, 24 de março de 2014
10 Kms a pé para levar filha deficiente ao médico
Esta é a história de uma mãe que percorre 10 quilómetros a pé, em plena Estrada Nacional 3, a empurrar a cadeira de rodas da filha deficiente para a levar ao médico.
O caso passa-se em Vaqueiros, no concelho de Santarém, onde a extensão de saúde foi encerrada em Setembro de 2013.
Quando precisa de levar a filha a uma simples consulta ou ir buscar as receitas dos medicamentos, Ofélia Marques vê-se muitas vezes obrigada a percorrer a pé os cinco quilómetros que a separam de Pernes, a vila onde encontra o Centro de Saúde e a farmácia mais próxima.
"Não tenho outra hipótese, porque não tenho transporte para a menina. Às vezes, ainda me oferecem boleia, mas a cadeira dela depois não cabe nos carros", disse Ofélia Marques à Rede Regional.
Para regressar a casa, caminha de volta os cinco quilómetros a empurrar a cadeira de Patrícia, de 32 anos, que sofre de paralisia cerebral desde bebé, na movimentada estrada que liga Torres Novas a Santarém, e onde o perigo de atropelamento espreita a cada curva.
Vaqueiros é servida apenas por um autocarro diário às 7h30 da manhã, a carrinha da Junta de Freguesia não está adaptada, os taxistas já evitam fazer este serviço e nem sempre a ambulância dos bombeiros voluntários de Pernes está disponível.
Meter pernas ao caminho é a opção que resta a esta mulher de 52 anos, que não pode deixar a filha sozinha em casa.
Problema é "simples de resolver"
A Junta da recém-criada União de Freguesias de Casével e Vaqueiros aponta o dedo ao Agrupamento de Centro de Saúde (ACES) da Lezíria na incapacidade para resolver o problema, que até tem uma solução relativamente simples.
Aquando da reorganização territorial, o ACES aceitou colocar um médico na freguesia durante mais um dia por semana, mas exige que seja na extensão de saúde de Casével.
A Junta defende que a unidade de Vaqueiros tem todas as condições para ter consultas uma vez por semana e até disponibiliza a funcionária administrativa e o equipamento informático.
"Não conseguimos compreender a posição dos responsáveis do ACES", disse à Rede Regional Joel Oliveira, o tesoureiro da Junta, explicando que este organismo tem mantido sempre uma posição de absoluta intransigência em não reabrir uma vez por semana a unidade de saúde familiar da aldeia.
"Colocar aqui um médico um dia por semana é praticamente a mesma coisa que mandá-lo a Vaqueiros, e toda esta população, que é maioritariamente idosa e não tem condições para se deslocar, teria acesso aos cuidados de saúde a que tem direito", acrescentou Joel Oliveira, sublinhando que "a Junta não vai baixar os braços".
Retirado daqui
quarta-feira, 12 de março de 2014
Saúde infanto-juvenil em processo de recessão «desolador»
Colectivo FLAN
«Esse desolador processo da recessão em saúde infanto-juvenil já se vê bem no dia-a-dia dos profissionais de saúde, mas demora um pouco até chegar aos documentos e às estatísticas».
A especialista em psicoterapia cognitivo-comportamental Margarida Gaspar de Matos considera que Portugal assiste a um «desolador» processo de recessão em saúde infanto-juvenil, embora reconheça que esta informação «demora um pouco até chegar aos documentos e às estatísticas».
A propósito da conferência que irá realizar no dia 20, no Centro de Investigação do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), sobre «Prioridades para a investigação pediátrica na Europa», Margarida Gaspar de Matos lembrou que «a saúde da criança e do adolescente melhorou muito nos últimos anos em Portugal».
Estes elementos estarão disponíveis no relatório do projecto RICHE, que visa identificar as lacunas na investigação europeia da saúde infantil e o qual é coordenado em Portugal por Margarida Gaspar de Matos.
«Até à data do fim deste projecto os resultados da recessão ainda não se sentiam muito nos documentos e nos números publicados», disse.
No entanto, a especialista sublinha que «esse desolador processo da recessão em saúde infanto-juvenil já se vê bem no dia-a-dia dos profissionais de saúde, mas demora um pouco até chegar aos documentos e às estatísticas».
Para Margarida Gaspar de Matos, «a precariedade tem influência na saúde de todos, por várias vias: pela dificuldade de acesso aos cuidados de saúde, pelo aumento das deficiências na sua prestação, mas sobretudo porque as pessoas - muitíssimo preocupadas com a sua sobrevivência em aspectos básicos do dia-a-dia - tendem a relegar a sua saúde e a dos seus para um plano menos saliente».
«Por isso se fala de saúde nos países desenvolvidos e saúde nos países em desenvolvimento, e nós estamos em recessão», sublinhou.
Também Álvaro de Carvalho, coordenador nacional para a saúde mental, disse à Lusa que tem recebido informações de profissionais que trabalham nas urgências pediátricas e nos serviços de pedopsiquiatria que apontam para «um aumento dos casos extremos».
Trata-se de «crises emocionais» detectadas em crianças e jovens e que «evidenciam maus tratos físicos e emocionais», com a crise a estar na origem destas situações, disse.
Nos adultos, a crise reflecte-se na não comparência nas consultas e tratamentos, muitas vezes por falta de dinheiro para os transportes até às unidades de saúde, bem como o medo de ausência no trabalho.
O psiquiatra lembrou que em momentos de crise como a que Portugal atravessa, as respostas devem passar pelo reforço dos muitos médicos de proximidade, incluindo na área da psiquiatria, dos apoios sociais e a promoção de programas activos para o mercado de trabalho.
Recentemente, o presidente da Comissão da Saúde da Mulher, Criança e Adolescente alertou para o aumento de casos de angústia e depressão infantil, devido às dificuldades das famílias, e disse que Portugal se arrisca a ser um «país de crianças tristes».
Em declarações à Lusa, Bilhota Xavier disse que as carências das famílias demonstram-se de várias maneiras e reflectem-se nas crianças desde muito cedo.
«Ficamos perplexos com as faixas etárias das crianças em que se detectam os cada vez mais frequentes problemas de ansiedade, angústias e depressões, algumas com oito, nove, dez anos», disse o pediatra.
Retirado daqui
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
ACT considera todos os 400 enfermeiros da Saúde 24 falsos recibos verdes
A vitória anunciada ontem na RTP é de dimensão histórica. O resultado da inspecção da Autoridade para as Condições de Trabalho, declarando que todos os trabalhadores eram falsos recibos verdes, será a maior regularização contratual de que há registo. Esta História foi feita pela luta dos enfermeiros da Linha Saúde 24 que, perante todas as adversidades, chantagens, calúnias e ilegalidade, fincaram o pé e levaram até ao fim a sua reivindicação. É uma vitória para eles e para todas as trabalhadoras e trabalhadores precários neste país.
A história desta luta terá de ser registada com todo o detalhe. Foi a construção de uma luta sólida, consciente e esclarecida, que perante difíceis probabilidades, perante inimigos poderosos, entre os quais se contou não apenas a empresa LCS e os seus assessores de comunicação, mas também o Ministério da Saúde e a Direcção-Geral de Saúde, conseguiu ganhar a opinião pública e fazer prevalecer a justiça e a legalidade no Trabalho. É uma vitória para todos os trabalhadores precários, é uma vitória para a Saúde Pública, é uma vitória para todas as pessoas que trabalham. A Nova Lei Contra os Falsos Recibos Verdes, nº 63/2013, de 27 de Agosto será agora decisiva na regularização da situação dos trabalhadores. A empresa terá 10 dias, após a saída oficial do relatório da ACT, para regularizar a situação dos 400 trabalhadores. A Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis, que acompanhou as enfermeiras e enfermeiros desde o início, saúda este resultado, que não conclui esta luta mas que desfere um golpe decisivo nos defensores da ilegalidade e da precariedade.
resto do texto aqui
GOVERNO E TROICA VIOLAM DIREITOS HUMANOS - MARCHA S. BENTO – 27 DE FEVEREIRO – 18H 30
Portugal é cada vez mais uma sociedade dividida entre pobres e ricos, entre os que têm poder e influencia e os que sofrem as consequências da política da troica e da direita, entre os que acumulam benesses e riqueza e os que são desprovidos de direitos, entre os que têm dinheiro para aceder à saúde e educação e os que deles são excluídos.
Resto do comunicado
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
A crise aumenta também os casos de suicídio
Se ainda forem considerados os casos de mortes por doenças cardíacas e cérebro vasculares, temos que mais de metade das mortes tem causas económicas.
O ataque brutal da burguesia imperialista sobre os países europeus em crise além causar a degradação das condições de vida dos trabalhadores está provocando um aumento descomunal de suicídios. De acordo com os dados do INE (Instituto Nacional de Estatísticas) da Espanha, o número de suicídios disparou em 2012 em mais de 11% na comparação com o ano anterior, para mais de 3.500 casos. O fato da esmagadora maioria dos casos ter se concentrado na faixa etária de 25 aos 34 anos de idade reflecte o impacto do desemprego que atinge mais de 26% da população em idade de trabalhar, apesar da emigração.
O aprofundamento da crise capitalista levou também a que o número de falecimentos como um todo tenha crescido em 3,9% sendo que o crescimento demográfico se encontra praticamente estancado. Chama a atenção que a maioria das causas das mortes esteja relacionada com doenças do coração (30,3% do total) e cérebro vasculares 27,5%).
Nos demais países as taxas também são assustadoras. Os casos mais notórios foram constatados na Grécia, onde a taxa de suicídio aumentou 40% depois da crise económica. Enquanto em Espanha atinge 7,6 pessoas a cada 100 mil habitantes, na Grã-Bretanha é de 6,5, Portugal 8,5, Holanda 9,5, Alemanha 10,8, Japão 20,9 e Coreia do Sul 33,3.
(Retirado de "Diário da Liberdade")
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Enfermeira despedida pela Saúde 24 denuncia
Sou Enfermeira e por lutar pelos meus direitos enquanto trabalhadora e Enfermeira fui DESPEDIDA
A Marisa Pereira, enfermeira da Saúde 24, partilha aqui este seu texto:
«Sou Enfermeira e por lutar pelos meus direitos enquanto trabalhadora e Enfermeira fui DESPEDIDA a 16/01/2014.
Em meados de Dezembro, a Linha De Cuidados de Saúde, S24, propôs a cada Enfermeiro a assinatura de uma adenda ao contrato da qual resultava uma diminuição do valor/h sendo também proposta a alteração do pagamento das horas de qualidade.
Tal redução implicava no valor final auferido mensalmente uma redução de cerca de 30 a 40%, chegando nalguns turnos a uma diminuição de 50%.
A agravar toda esta situação, os trabalhadores em causa prestam trabalho na referida empresa como trabalhadores independentes, prestadores de serviços, os chamados recibos verdes, que segundo o art.º 12.º do Código do Trabalho se tratam de falsos recibos verdes neste caso.
Por não concordar com os valores propostos, melhor dizendo, impostos e com a forma coactiva como tais condições foram apresentadas iniciamos um processo de luta pelos nossos direitos. Formaram-se comissões informais de trabalhadores, foi realizada uma queixa no ACT que realizou uma inspecção às instalações, reunião com a DGS que não tomou qualquer tipo de posição, alegando que apenas o faria se o atendimento ficasse em risco, enviadas cartas aos grupos parlamentares expondo a nossa situação, pedido apoio do SEP (Sindicato dos Enfermeiros Portugueses) que pouco pode intervir tratando se segundo a empresa de prestadores de serviços, realizadas tentativas de negociação com administração que manteve sempre com uma posição inflexível.
Na ausência de flexibilidade da empresa para uma negociação e após vários apelos à administração os trabalhadores paralisaram a linha em dois momentos, o primeiro no dia 04/01/2014 e pela segunda vez com início no dia 24/01/2014 durante 3 dias. Apesar da boa adesão dos trabalhadores à paralisação e da falta de capacidade de resposta da empresa aos utentes a mesma permaneceu irredutível na sua posição e a DGS que só interviria numa situação de falta de resposta da linha à comunidade continuou sem qualquer tomada de atitude, assim como o Ministério da Saúde, afirmando ainda o Ministro da Saúde Paulo Macedo que a linha continuara a dar resposta aos utentes.
Sabemos nós trabalhadores que as chamadas perdidas chegaram a ultrapassar as mil/dia.
Dia 24/01/2013 PCP e BE levaram a parlamento propostas para resolução contratual dos Enfermeiros da S24 que foram reprovados pelo PSD/CDS PP.
Durante todo este processo e após primeira paralisação, 16 Enfermeiros vêem o seu contrato ser rescindido sem qualquer causa e proibidos de trabalhar nos seus turnos durante o período de aviso prévio legal estabelecido contratualmente. Destes 16 Enfermeiros 3 pertenciam à comissão informal de trabalhadores, estiveram em linha de frente, deram a cara e as represálias estão à vista. A empresa comete ilegalidade em cima de ilegalidade! E nenhuma entidade responsável toma uma posição.
Questiono me onde está a liberdade de expressão, os direitos dos trabalhadores, o respeito pelos Enfermeiros. Pessoas que cuidam pessoas!!!
Vivemos num país em que capitalistas enriquecem à custa dos trabalhadores e que contra as leis agem apenas de acordo com as suas vontades e interesses.
O dinheiro gerido por esta empresa é proveniente do Ministério da Saúde para prestação de um serviço de qualidade aos utentes e que está desta forma em risco. Qual atitude do governo perante tal situação?
Lutamos pela dignificação da nossa profissão. Lutamos por condições de trabalho dignas. Lutamos contra uma empresa que tem lucros de milhares e quer pagar migalhas a Enfermeiros!
Durante todo este processo foi fundamental o apoio dos PRECÁRIOS INFLEXIVEIS. Pessoas que voluntariamente abraçaram esta causa ao lado dos trabalhadores.
Orientaram da melhor forma em todas as decisões. Estiveram presentes nos momentos de maior necessidade.
A todos vocês OBRIGADO!
Marisa Pereira»
Retirado de Precários Inflexíveis
Negligência de cuidados de saúde no EP de Santarém
Denúncia da ACED:
Ex.mos. Senhores Provedor de Justiça; Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça; Ministro da Justiça; C/c Presidente da República; Presidente da Assembleia da República; Presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da A.R.; Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados; Comissão Nacional para os Direitos Humanos
Assunto: negligência de cuidados de saúde no EP de Santarém
Luis Miguel Tavares está preso no EP de Santarém. Há cerca de 3 semanas queixou-se de um problema num dos braços. Não foi atendido e quando se constatou que estava infectado a guarda protelou a ida para o hospital. Está no Hospital Prisional de Caxias há mais de 15 dias a tomar antibióticos, sem que a infecção esteja debelada. Como começaram por dizer que oito dias a antibiótico seria suficiente, depreende-se que o estado de saúde é pior do que inicialmente se imaginava. Ou o problema não foi diagnosticado correctamente.
No meio disto, aquilo que mais preocupa a família do Luís é o facto de não ter a mínima ideia nem da causa da alegada infecção nem o ponto de situação do seu estado de saúde. As autoridades penitenciárias alegam a defesa da intimidade e da privacidade do paciente. E delegam nele a possibilidade de contar à família o que aconteceu e o que continua, eventualmente, a acontecer. Sim, alguma coisa aconteceu e continua a acontecer porque o Luís alega, junta da família, estar a ser ameaçado de represálias se contar aquilo que se passou consigo.
A família dirigiu-se à ACED na esperança de através dos nossos meios (isto é, dos meios de quem de direito que possa ler este ofício) poder vir a saber aquilo que se passa (que pode ser grave e merecer algum tipo de actuação que, sem se saber o que está a acontecer, é impossível).
A ACED denuncia a cultura geral de intimidação e ameaças que se vive de forma sistemática nas prisões portuguesas, sem que haja um reconhecimento (oficioso que seja) capaz de diagnosticar a situação e organizar a aplicação de medidas correctivas e preventivas. É intolerável que um preso se sinta de tal modo pressionado que aceite ser mal tratado. Como é intolerável uma família confrontar-se com as ameaças indirectamente a si dirigidas, quando pretendem ajudar um familiar preso. Ao cuidado de quem de direito.
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