terça-feira, 26 de abril de 2011

Tal governo, tal ministra – nem mais um voto para os proxenetas do regime!



Talvez por imitar o mestre, a ministra da Saúde, a médica Ana Jorge, vem mentir mais uma vez quanto à política de saúde do seu governo que, embora demissionário, continua a não querer deixar os pergaminhos por mãos alheias: obriga os doentes a pagar os medicamentos que devem ser gratuitos – caso recente do Hospital dos Capuchos que obriga doentes com hepatite B a pagar o medicamento que é fornecido exclusivamente pelo SNS, evocando uma lei do tempo do fascismo, anterior ao próprio SNS. Diz-me com que linhas te cozes que eu digo-te quem és – e diz-se esta gente socialista!

Mal a ministra da Saúde acabara de dizer que os hospitais estão em condições de continuar a fornecer os cuidados exigidos pelos cidadãos utentes e mandado instaurar um inquérito à Maternidade Alfredo da Costa, o director desta veio logo às televisões dizer que qualquer cidadão pode doar, à instituição por si (mal) gerida, o que bem entender, desdizendo assim a ministra que tinha mandado suspender o peditório por aparentemente ilegal. Esta atitude mostra uma de duas coisas: ou a ministra não manda nada e pode ser contrariada por qualquer cacique por si nomeado ou, o que parece ser mais provável, as administrações da Maternidade Alfredo da Costa e do Hospital dos Capuchos podem fazer o que têm feito, que não correm o risco de serem demitidas porque têm autorização para tal, e o que a ministra diz aos media é apenas para consumo do Zé Povinho. Se as instituições do SNS estão subfinanciadas, por que é que então os administradores e demais chefias não só não abrem mão dos vencimentos escandalosos e mordomias indevidas como ainda se arrogam a auto-atribuir-se “subsídios de chefia”?

O governo demissionário do pior primeiro-ministro que tivemos desde o 25 de Abril – agora recordado, com nostalgia e remorso por uns, do que se poderia ter feito e não se fez e, por outros com sentimento de vingança e regozijo, porque afinal pouco terá mudado – prepara-se para oferecer ao FMI-BCE-CE mais e maiores cortes no SNS, para além dos já propagandeados, por uma certa imprensa e como amaciamento da opinião pública, cortes dos salários, subsídios de férias e 13º mês (pagos em títulos do tesouro ou certificados de aforro!) dos funcionários públicos e corte no pagamento de dois meses de reforma aos aposentados.

Claro que o governo vem dizer, nem podia fazer outra coisa, que o corte dos subsídios e das reformas são uma proposta do PSD, que quer destruir o dito “Estado Social” (e agradar aos “patrões” de Bruxelas a fim de ganhar as eleições, acrescentamos nós), o que também não deixa de ser verdade, apesar do PS não ter feito outra coisa nestes seis anos de “governação Sócrates”. Ambos os partidos não têm feito mais do que assaltar os cofres públicos e, com PEC ou sem PEC, ninguém vem explicar aos portugueses ignaros por que é que a dívida das empresas privadas, incluindo os bancos, é o dobro da dívida pública? As televisões não fazem outra coisa senão anunciar a percentagem do défice público, 8, 9, 10% em relação ao PIB, não cessando de aumentar, mas ninguém diz que são os bancos que estão à rasca e que os 80 ou 100 mil milhões de euros que serão emprestados serão para eles e não para melhorar as condições de quem trabalha, ou seja, para investir na educação ou na saúde, ou até no desenvolvimento económico do país.

Por estas e outras razões não devemos dar o nosso voto nem ao PS nem ao PSD, não podemos contribuir para a eleição de deputados que, como agora se tem visto, continuam a querer viajar à custa do estado e ficam indignados porque não foram convidados pelo Presidente da República para as comemorações do 25 de Abril no Palácio de Belém depois de… a Assembleia da República já ter sido dissolvida!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Faltam medicamentos nos hospitais de gestão privada


in "Diário do Minho"

Notícia o “Diário de Notícias” que o Hospital de Cascais está a pedir aos familiares dos doentes para comprar medicamentos que diz não ter disponíveis na farmácia, assim como a pedir aos pais que comprem fraldas e leite terapêutico para os bebés enquanto estes estão internados – diz, por sua vez, o Correio da Manhã.

O Hospital de Cascais é gerido pelo grupo Hospitais Privados de Portugal (HPP), pertencente à CGD que, pela prática demonstrada, prossegue os mesmos objectivos, e pelos vistos com mais afinco, da banca privada. E foi o hospital que, segundo a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), recebeu mais queixas, 1.220 (mil duzentas e vinte!), em 2010, dos utentes descontentes com os serviços prestados por esta parceria público-privada, que custará ao Estado (dinheiro de todos nós!) 794 milhões de euros.

Quantia semelhante ficará a parceria com o grupo Mello-Saúde, Escala Braga, que gere o Hospital de Braga que, nos últimos tempos, tem sido falado por chantagear os seus funcionários com o objectivo de os obrigar a assinar um contrato individual de trabalho, levando-os a perder o seu vínculo permanente que possuíam como funcionários públicos antes da transferência.

O Hospital de Braga, depois de uma auditoria ao serviço de urgência demonstrar que o número de equipas médicas disponíveis era inferior ao contratado, foi multado em 250 mil euros. A outra multa, no valor de 400 mil euros, está ainda em deliberação e refere-se a acusações de que o hospital terá transferido para o hospital de São João, no Porto, cerca de 700 doentes que estariam abrangidos pelo contrato e com patologias que representariam “uma despesa excessiva”. E a Entidade Reguladora da Saúde está a investigar suspeitas de restrições no fornecimento de medicamentos aos doentes com cancro, em consequência de várias queixas de doentes e de médicos do próprio hospital.

Para quem pensava que a gestão privada dos hospitais ficava mais barata ao Estado pode desenganar-se com os factos que têm vindo a lume; e os enfermeiros que tinham a ilusão de que era mais fácil encontrar emprego podem verificar que não é verdade e que as condições de trabalho e salários são bem inferiores aos da administração pública e por uma razão simples: os grupos privados visam o lucro e lucro a todo o custo, pouco importando que esteja em causa o ser humano e o seu bem mais precioso: vida/saúde. Na economia de mercado, tudo é mercadoria e a lei do lucro impera.

A ministra que está de saída (e ainda bem, ontem já era tarde!), quando se soube da notícia do Hospital de Cascais que exigia aos doentes a compra dos medicamentos, veio dizer que o problema nada tinha a ver com a situação de crise do país, o que não é verdade. São precisamente as parcerias pública-privadas, que vão ficar em mais de 50 mil milhões de euros aos cofres públicos, co-responsáveis pela grave crise financeira do Estado.

No país da bancarrota, o Estado, “cumprindo os seus compromissos militares” terá de pagar 500 milhões de euros (270 milhões destinam-se à manutenção) pela aquisição de helicópteros para as “imprescindíveis” (para não dizer inúteis) Forças Armadas. E esta, hein!

domingo, 3 de abril de 2011

Mais 22 milhões para os privados e mais mordomias para os boys


Cartoon em O Guardião

Depois de demitido o governo decidiu ir pagar cerca de 22 milhões de euros a doze hospitais pertencentes às misericórdias que passaram a prestar cuidados de saúde em plano de igualdade com os hospitais públicos do SNS. E não há dinheiro para os enfermeiros e nem para o SNS que viu o seu orçamento diminuído em 6%! Esta é uma forma de se privatizar a saúde em Portugal e, por outro lado, um expediente para uma confissão religiosa ir sacando dinheiro ao Estado.

Estes acordos, agora estabelecidos quase que à pressa já que o governo PS está de saída, vêm na sequência de um protocolo assinado em Março de 2010 entre o Ministério da Saúde e a União das Misericórdias Portuguesas (UMP). E os hospitais abrangidos irão fazer “entre 15 e 25 mil cirurgias e mais de 100 mil consultas de especialidade", segundo as palavras da Ministra da Saúde. Não será de espantar que os médicos, que deixaram por fazer estas cirurgias e consultas nos seus empregos no SNS, sejam os mesmos que agora as vão fazer nos hospitais privados das misericórdias.

Nunca um governo fez tanto para a destruição do SNS e criação de condições para a privatização da saúde, processo de destruição que parece ter obedecido a um plano cuidadosamente estabelecido: primeiro, deixou-se criar as listas de espera nos hospitais públicos, não se obrigando os médicos a cumprir com os seus deveres de funcionários, bem pelo contrário, facilitou-se a acumulação de tachos no privado e, dessa forma, a parasitação do SNS; segundo, e com o governo PS, avançou-se para a privatização aberta, começando-se pelo encerramento de muitos serviços do SNS para se criar mercado e, agora, vai-se contratando esses mesmos privados para fazer o que o SNS pode e deve fazer, pois ainda tem meios para tal.

A fusão de 14 hospitais públicos em seis novos centros hospitalares, aprovada em decreto-lei no dia 2 de Março e que entrou em vigor no dia 1 de Abril, teria como objectivo "tornar mais eficiente a gestão das unidades de saúde envolvidas" e, aparentemente, reduzir custos com administradores e chefes que, pela lógica, sendo esse até o argumentário do governo, iriam ser reduzidos para metade. Mas, passado o dia 1 de Abril (talvez por ser dia das mentiras), nem as novas comissões administrativas tomaram posse e nem o número de gestores e chefes diminuiu, como acabaram por ver aumentados os vencimentos e demais mordomias – tal como sempre acontece quando há fusões de organismos do estado! Os enfermeiros supervisores e chefes (e outras chefias que mais altas se alevantam), nos HUC, passaram a receber o subsídio de gestão a partir de… Dezembro de 2010. E dizia o Governo (depois de demitido, a conversa versa mais a vitimização e a inevitabilidade da putativa “ajuda externa”) que estamos em crise e devíamos poupar!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Os sindicatos sentem-se prejudicados, diz Carvalho da Silva



O secretário-geral da CGTP Carvalho da Silva veio há dias dizer que a atual situação económica e social prejudica os sindicatos: "Os ataques aos direitos dos trabalhadores estão a provocar uma diminuição séria do volume de emprego e a generalização da precariedade e os sindicatos estão a sofrer com isto".

Pouco tempo antes, o mesmo Carvalho da Silva, não teve rebuço em declarar à agencia Lusa que não defende eleições antecipadas, ou seja, a demissão do Governo do PS e de Sócrates, embora criticando as suas medidas, que devem ser mudadas, não dizendo como, com a argumentação de que o PSD estaria à espreita para aplicar a mesma política de austeridade.

Com a defesa da manutenção do PS no governo e ficando na explicação simplista de que a “mudança de políticas” só se conseguirá com a “mobilização da sociedade”, mostrando a experiencia de seis anos e meio de governação “socialista” e de outro tanto de manifestações promovidas pela CGTP sem resultado algum, ou melhor, depois de cada manifestação, o Governo tem feito sempre pior, compreende-se que os sindicatos estejam em situação difícil.

A situação difícil, evocada pelo secretário-geral da CGTP, por que passam os sindicatos traduz-se pela perda de sócios e de participação dos mesmos nas actividades sindicais. Realidade que não deve ser atribuída apenas à falta de estabilidade laboral, levando a que muitos trabalhadores hesitem em sindicalizar-se com medo de represália patronal, ou aos cortes e congelamentos salariais que, por sua vez, retiram disponibilidade financeira aos trabalhadores para contribuíram com a quotização para o seu sindicato. Esta quebra de receitas por parte dos sindicatos poderá, diz Carvalho da Silva, colocar em causa a realização do congresso daquela central sindical que está previsto para Janeiro de 2012.

Esta saída dos trabalhadores dos sindicatos deve ser explicada, coisa que o secretário-geral da CGTP não diz, pela política conduzida pelas direcções sindicais quanto à resolução dos problemas dos trabalhadores que afirmam defender. E se reportarmos à enfermagem e à forma como os sindicatos da CNESE, SEP e SERAM, para não falar dos outros dois da UGT, defenderam os nossos interesses em relação à carreira da função pública ou em relação ao acordo colectivo para o sector privado, ficamos perfeitamente elucidados quanto às razões do voltar de costas aos sindicatos por muitos dos colegas.

Logo que a reles carreira foi aprovada à pressa, uma semana antes das eleições legislativas, entre sindicatos e governo do PS, que se assistiu uma corrente de desindicalização por parte de um número significativo de enfermeiros, colegas que não se revêem na atual carreira e se sentiram atraiçoados pelas direcções sindicais. Esta saída, que em alguns hospitais foi quase em massa, não incomodou, ao contrário do que se poderia esperar, os dirigentes sindicais, porque estes sabem que os que ficam pagam as quotas suficientes para sustentar a burocracia sindical, e os que vão embora, como são do contra, deixam de fazer oposição que atemorize.

A aprovação de uma carreira à pressa e, também por esse facto, a abertura de portas a que o Governo, já em segundo mandato, aprovasse a grelha salarial, que é uma autentica afronta a profissionais licenciados e com especialização feita em muitos dos casos, sem oposição de monta por parte dos sindicatos, teve como objectivo, entre outros, o desmobilizar a luta e mandar os enfermeiros para casa. É fácil ver se a luta se prolongasse por muito tempo, os enfermeiros poderiam ter a infeliz ideia (para as actuais direcções sindicais, claro!) de correr com os dirigentes sindicais que atraiçoaram e substitui-los por outros de maior coragem e dignos de confiança – tal como aconteceu em 1976 com o principal sindicato dos enfermeiros, o então Sindicato dos Enfermeiros do Sul e Ilhas. A prorrogação do mandato por mais um ano, em 2010, pela direcção nacional do SEP teve essa intenção e, agora em 2011, irão então proceder a eleições, aproveitando quase de certeza, o período estival, quando a maior parte dos enfermeiros estão de férias.

Com estas perfídias e golpes, que caracterizam a actuação da generalidade dos sindicatos, com a recusa destes em defender os interesses dos trabalhadores não sindicalizados, dos trabalhadores imigrantes ou ilegais, e com o apoio ao governo PS, sob a falácia de que o governo que aí vem ainda é pior, Carvalho da Silva tem razão em se mostrar preocupado com a falta de trabalhadores nos sindicatos, e não venha acusar os “700 mil desempregados e cerca de três milhões de trabalhadores com vínculos laborais instáveis” porque se estes trabalhadores chegaram à situação onde se encontram o devem em parte ao oportunismo da política sindical das duas centrais sindicais, cada uma à sua maneira. No campo sindical também urge uma mudança de políticas e, contrariamente à opinião de Carvalho da Silva em relação ao Governo, uma mudança de protagonistas. Esta burocracia sindical é uma gerontacracia que sempre mamou à custa dos trabalhadores e que há muito deveria ter sido corrida. Mas nunca é tarde!

PS: Depois de escrito este post, Sócrates pediu a demissão. O governo caiu apesar do apoio dos sindicatos. Vai haver eleições, uma boa oportunidade para levar o PSD a fazer compromissos em relação às questões em aberto na negociação que se prende com a entrada em vigor da nova carreira, à semelhança do que está acontecer com a ADD (avaliação de desempenho) dos professores!

terça-feira, 22 de março de 2011

O Governo mentiu mais uma vez



O Governo fartou-se de embandeirar em arco quanto ao abaixamento do preço dos medicamentos, seria o contra-ponto ao aumento generalizado do preços dos artigos de primeira necessidade devido ao aumento do IVA e dos cortes salariais, mas o entusiasmo foi de pouca dura, porque logo veio dizer que era impossível proceder à referida redução em Abril. E foi mais longe ainda, decidiu suspender por dois anos a revisão dos preços dos medicamentos, contrariando a lei e a prática da revisão ser feita anualmente. Razão para se dizer: em Abril mentiras mil!

A argumentação para a redução centra-se no facto da indústria farmacêutica ter acordado em contribuir para a redução da despesa do SNS em medicamentos. Assim, em troca da não revisão de preços, a Apifarma (Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica) comprometeu-se a não deixar que a despesa estatal com medicamentos vendidos nas farmácias ultrapasse os 1440 milhões de euros este ano – o que representa menos 80 milhões do que aquilo que estava previsto no Orçamento de Estado de 2011. E nos hospitais, o objectivo é que a despesa com medicamentos seja inferior em dois por cento à contabilizada em 2010, uma poupança da ordem dos 18 milhões de euros. Sempre a mesma história: para o Estado ganhar, o cidadão fica sempre a perder.

Mas como também sabemos que diminuir o consumo de medicamentos não é tarefa fácil, atendendo à pressão exercida pela indústria farmacêutica, seja pela publicidade, seja pela manipulação da classe médica, ou até por interesses instalados nas diversas instituições do SNS, só poderemos concluir que o acesso ao medicamento vai ser mais difícil por parte de fatia importante dos cidadãos consumidores de cuidados de saúde. E já tem sido notícia o facto de muitos idosos não puderem pagar os medicamentos que os médicos receitam, muitas vezes abusivamente, ou das dívidas nas farmácias aumentarem de forma drástica, dando uma imagem de que a crise aqui também se sente.

Não contente com esta medida de manter o preço dos medicamentos, o Governo anunciou no novo pacote de medidas suplementares de consolidação orçamental, mais conhecido por PEC IV, a diminuição das comparticipações no preço dos medicamentos, ou seja, o preço pago pelo cidadão utente irá aumentar, para além dos cortes das reformas de aposentação. Todo o universo utente do SNS será afectado, com especial incidência para os trabalhadores aposentados. Ora, poderia haver melhor saúde com menos dinheiro, o problema da sustentabilidade financeira do SNS acaba por ser um falso problema na justa medida em que o Governo poupa no farelo para estragar na farinha, isto é, corta do lado do cidadão consumidor e desbarata do lado de despesas que só interessam aos diversos lóbis de interesses instalados no SNS e que desde há muito o vão parasitando e consumindo.

Este governo é de todos o que mais tem contribuído para a destruição paulatina do SNS, razão só por si suficiente para que a grande maioria dos trabalhadores do SNS veja com satisfação e alivio a sua demissão, o que se espera que aconteça o mais breve possível.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ainda é possível a progressão nos escalões



Em 22 de Julho de 2010, o SEP veio reconhecer publicamente que é possível a progressão nos escalões na carreira (antiga mas ainda em vigor) para os enfermeiros que se viram impossibilitados de subir de escalão por poucos dias quando a carreira foi congelada em 30 de Agosto de 2005, visto que havia decisão judicial a dar razão a um funcionário público que entendeu que o tempo em que a carreira esteve descongelada, desde 1 de Janeiro e 1 de Março de 2008, deveria ser contado.

Devemos relembrar que houve colegas que chamaram a atenção para a possibilidade da via judicial atendendo a este facto, ou seja, tempo que deveria ser contado para a progressão e que não estava a ser por decisão abusiva e ilegal do governo. Comunicaram essa possibilidade a dirigentes do SEP, aquando das negociações da dita “nova carreira”, e tiveram como resposta que essa possibilidade era contraproducente porque poderia travar as negociações em curso - coisa que ainda não conseguimos perceber.

Depois de um trabalhador da administração local ter ganho a questão em recurso para o Supremo Tribunal Administrativo, o SEP lá teve a ousadia de enviar pedido dirigido à Administração Central do Sistema De Saúde - I.P., sem que até agora aquele organismo tenha tomado uma posição clara para que as instituições públicas de saúde procedam à progressão dos enfermeiros que estejam naquelas condições. A partir de 11 de Junho de 2010, data de envio do referido pedido, o SEP fechou-se em copas quanto a esta questão. No entanto, se houvesse um resquício de seriedade sindical, teria desencadeado um processo de recenseamento dos colegas nesta situação e tê-los-ia mobilizado a seguir a via judicial, oferecendo para isso os seus serviços jurídicos, inclusivamente aos colegas não sindicalizados, o que seria até uma boa iniciativa de marketing sindical. Mas nada fez.

Perante a passividade sindical, há colegas que estão neste momento a entrar pela via judicial para exigir a progressão na carreira, tendo em conta o tempo que vai (repetimos) de 1 de Janeiro e 1 de Março de 2008. O MOVES tem conhecimento de alguns colegas dos HUC e do Hospital de Aveiro que já entraram com processo em tribunal, contratando advogados particulares, porque, em todos os casos, são mais de 6 mil euros, mais juros de mora, que estão em jogo já que exigem o diferencial dos vencimentos a que têm direito desde início de 2008.

Um dos casos que chegou ao nosso conhecimento é de um colega que é enfermeiro há 14 anos, o mesmo tempo de serviço em instituição do SNS, tendo ao momento um vencimento de 1 252,71 euros (enfermeiro graduado, escalão 2, índice 140), mantendo este vencimento há quase 10 anos – e que não subiu de escalão apenas por dois dias! Na nova grelha salarial será reposicionado, daqui a dois anos, em igual posição de um enfermeiro recém ingressado na carreira, ou seja, são 16 anos que vão ao ar – quase metade de uma carreira profissional!

Este colega, quando foi colocar o seu problema, na direcção de Coimbra do SEP, ainda recebeu do coordenador local uma roda de ignorante, que “não sabia ler as leis”. Estes sindicalistas, talvez por estarem afastados há muito do trabalho de enfermagem, muito preocupados com o chá tomado na companhia da ministra e que o governo não caia (eles lá saberão porquê!) contorcem-se em piruetas; mas como o azeite a verdade dos factos vem sempre ao de cima, contra os factos não há argumentos, e a verdade é que, em reunião de finais de 2010, o coordenador nacional do SEP acabou por dar razão aos colegas que tinham levantado a questão cerca de um ano antes.

Para que sirva de exemplo aos colegas que estejam dispostos avançar judicialmente contra as suas instituições patronais e que se encontrem nas condições atrás descritas, isto é, o tempo de 1 de Janeiro e 1 de Março de 2008 complete os três anos para progressão na carreira. Quem quiser pode contactar o MOVES porque prestaremos todos esclarecimentos e ajudas necessários.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Os desvarios financeiros do Ministério da Saúde


HenriCartoon

O governo gastou, em 2010, 1.673.886.793 euros em comparticipação com medicamentos, ou seja mais 7% do que no ano anterior. E nos hospitais do SNS, entre Janeiro e Novembro de 2010, o consumo (acumulado) de medicamentos foi superior a 919 milhões de euros, o que representa um crescimento de 3,9% relativamente ao período homólogo anterior. É o fartar vilanagem pela indústria farmacêutica neste sistema de saúde bio-médico!

As fraudes com os medicamentos são frequentes e mais outro caso é notícia: “Oito pessoas foram detidas no âmbito da operação da Polícia Judiciária (PJ) junto de 11 farmácias, distribuidores e armazenistas de medicamentos em Lisboa e Loures… a fraude está relacionada com medicamentos antipsicóticos e terá lesado o Estado em dois milhões de euros” (da imprensa). Há médicos envolvidos na tramóia. O sistema actual de comparticipação com o medicamento facilita as fraudes, como também é uma forma dissimulada de financiar com os dinheiros públicos o negócio privado das farmácias.

Segundo a Associação Nacional de Farmácias actualmente há clientes que aviam as receitas e pedem para pagar mais tarde. O fenómeno dos fiados nas farmácias já se sente há algum tempo, mas agravou-se nos últimos meses. Em Setembro de 2010, num estudo sobre o impacto das medidas complementares na área do medicamento, a IMS Health calculava que o nível de despesa dos utentes poderia "aumentar em 150 milhões de euros por ano", passando a despesa total de "1,575 mil milhões de euros para 1,725 mil milhões de euros".

O Presidente da República vetou o diploma que permite que a prescrição da marca do medicamento feita pelo médico seja substituída pelo farmacêutico, quer por medicamento genérico, quer por outro essencialmente similar, a menos que seja incluída, na receita, a respectiva justificação técnica. O governo acabou por prestar um bom serviço ao PR Cavaco Silva ao apresentar um diploma atabalhoado e mal fundamentado. É o resultado de se querer agradar a gregos e troianos. O governo continua a poupar no farelo para estragar na farinha.

Com esta ministra e com este governo, a política da saúde tem sido a mesma de Correria de Campos de má memória (o tal ex-ministro PS que apoiou Cavaco, ele lá terá as suas razões!). O governo anunciou o encerramento de 14 Serviços de Atendimento Permanente, entre os quais se encontra os de Vendas Novas, Montemor-o-Novo, Moura e Serpa, etc. Notícia que levou ao protesto público do povo de Vendas Novas. Este governo pôs os desempregados e os reformados a pagar taxas moderadoras e está a cobrar dívidas de taxas moderadoras, já prescritas, a funcionários públicos por serviços de saúde, que até poderiam ter sido a adquiridos no privado em melhores condições, e sem que lhes tivesse sido apresentada a conta no tempo devido.

Para os enfermeiros não houve dinheiro, nem haverá nos tempos mais próximos, atendendo às perspectivas quanto à duração da actual crise, ficando quase todos eles em congelação salarial, por tempo indeterminado, na nova grelha salarial de uma carreira profissional vexatória e degradante, cozinhada entre sindicatos e governo PS/ministra Ana Jorge. Haverá enfermeiros que ficarão sem qualquer aumento por mais de 10 anos, atendendo a que todo o tempo de serviço não conta na transição para uma carreira que deveria entrar em vigor só depois da aprovação do sistema de avaliação de desempenho. Contudo, há hospitais a colocar o carro à frente dos bois, a exemplo dos HUC, a proceder já à reclassificação dos enfermeiros, a retirar os cinco dias de férias adicionais aos enfermeiros a trabalhar no serviço de psiquiatria e… a pagar, desde Dezembro, o subsídio de chefia aos chefes e supervisores.

Sempre a mesma política: tirar aos que trabalham (os pobres) para dar aos que nada produzem (os ricos). Já é tempo, e razões mais que sobejas, para se correr com este governo!