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terça-feira, 17 de maio de 2016

Hiperactividade ou Hiperdiagnóstico?


Por Bruno Santos (blog Aventar)

Mais de 5 milhões de doses de Metilfenidato (Ritalina) administradas a crianças em Portugal, para sossegar não o seu espírito, mas o daqueles que as querem sentadas, mudas e quietas.

Uma implacável lobotomização química e uma forma imbatível de tornar o consumo crónico, limitando definitivamente as possibilidades de desenvolvimento dessas crianças e assegurando uma renda volumosa a uma longa rede de interesses industriais, profissionais e políticos.
Talvez um dia se possa pensar em "descoisificar" a infância e legislar no sentido de tornar exemplarmente punível a violação dos direitos básicos e fundamentais estabelecidos em Declaração Universal a ela dedicada. Talvez só depois de os cães terem conquistado o direito de voto, pois se há coisa que uma sociedade decente deve ter é uma hierarquia civilizada de prioridades.

Retirado de Aventar

Ver também: Ritalina, a droga legal que ameaça o futuro

Com efeito comparável ao da cocaína, droga é receitada a crianças questionadoras e livres. Professora afirma: "podemos abortar projetos de mundo diferentes"
É uma situação comum. A criança dá trabalho, questiona muito, viaja nas suas fantasias, se desliga da realidade. Os pais se incomodam e levam ao médico, um psiquiatra talvez. Ele não hesita: o diagnóstico é déficit de atenção (ou Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade TDAH) e indica ritalina para a criança.
(...)

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Ritalina: hiperactividade, educação ou negócio?

por João Paulo

Em democracia não há territórios sagrados, apesar de existirem algumas reservas, na sociedade não médica, à entrada na esfera clínica. Normalmente, quem arrisca, leva com uma bateria de batas brancas em cima que, com argumentos, quase sempre básicos, acaba por intimidar.

Aviso, portanto o leitor, de que não é minha intenção entrar na discussão médica sobre a Ritalina, até porque, ao ler parte da informação oficial disponível, fiquei suficientemente assustado, para nem tentar perceber o mecanismo da droga mais comum nas escolas, por estes dias. O meu olhar é o de Professor.

Nas nossas escolas a quantidade de crianças medicadas é absolutamente assustadora – quase não há turma em que dois ou três meninos não tome algum tipo de medicação para a hiperactividade. E, diz-me o senso comum, que não é possível que cerca de 10% das nossas crianças sejam portadoras desta “doença”. Não é possível.

E, parece-me que há três  factores que contribuem para este manifesto exagero da Ritalina nas escolas:
a) a sociedade em geral e as famílias em particular, que não conseguem educar. Se até há uns anos, a sociedade depositava todas as responsabilidades formativas na escola, agora a situação tornou-se ainda pior com a destruição total que Pedro Passos Coelho promoveu junto da unidade nuclear da nossa sociedade – a família;
b) a escola de Nuno Crato, que, com menos currículo, com menos diversidade, com mais exames e centrada nos conteúdos, afastou a escola dos alunos, das aprendizagens e promoveu a indisciplina, o conflito a instabilidade.
c) o negócio. O infarmed diz que em 2013 foram vendidas, em Portugal, duas caixas de Ritalina. Mas, no mesmo documento onde se refere esta barbaridade, é também apresentado um valor – sete milhões e meio de euros é o total do negócio deste princípio activo.

Ora, perante isto, importa perguntar:
Se a Ritalina não serve às crianças, a quem interessa drogar os nossos alunos?


Original em  Aventar