quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A destruição “criativa” do SNS



Carlos Silva

À medida que a legislatura se aproxima do fim a "política de saúde" de saúde deste (des)governo fica cada vez mais clara nos seus objetivos e propósitos. Em jeito de balanço podemos enunciar os pontos-chave da metodologia desta “governação”:

- “Sangrar” o SNS indo além da troika esgotando-o assim do lado financeiro;

- Desprestigiar o serviço público e os seus profissionais alimentando uma sórdida e paranóica campanha, contra tudo e com todos, com o objetivo de incutir na opinião pública a ideia de que a insustentabilidade do SNS é devida a quem nele trabalha;

- Bater no peito a clamar pelo SNS enquanto por ação mas, sobretudo, por omissão tudo foi feito para o destruir;

- Arrasar a máquina administrativa e técnica dos órgão de administração do sistema de saúde através de recrutamentos esotéricos e incompetentes conduzindo a uma crise de competências nunca vista e deixando os lugares de topo sem titulares de valor refugiando-se no refugo partidário;

- Fazer ilusionismo político com as promessas de reforma, as contra-reformas e as não reformas.

Então e agora afinal o que temos?

- Um flop nunca visto. (resistem 2 ou 3 acólitos (os do costume) a defender esta política ( certamente para poderem conservar as posições);

- Uma erosão das instituições sem precedentes;

- Uma profunda desmotivação e uma grande vontade de fuga dos profissionais;

Perante esta desgraça o “mercado” privado anima-se e vai-nos fazendo entrar pela porta “fantásticos” investidores de países com sistemas de saúde deploráveis em busca da “medicina comercial” profit oriented que bem conhecem e praticam há décadas.

- O achincalhamento da instituição SNS e da utilidade pública da sua missão vai abrindo as portas para o circo dos disparates. “Jornalistas” e comentaristas vão palpitando deslumbrados pelo sonho de fazer da saúde (finalmente) uma grande área de negócio;

- “Personalidades” como o Prof Daniel Bessa teorizam sobre a circunstância ora descoberta de afinal os hospitais pouco mais serem do que hotéis;

- Abrem “clínicas” a rodos nos supermercados que prometem boa saúde entre a fileira do peixe e a bancada do repolho. A mais recente (ao que parece de uma importante multinacional com sede num 3º andar de uma rua das Caldas da Rainha) implementa mesmo um conceito novo e revolucionário: consultas médicas mediadas por um enfermeiro através da televisão (não se sabe com novelas nos intervalos de espera);

- A confusão é tanta que até o ultraliberal presidente da Associação dos Hospitais Privados que tanto vinha proclamando as virtudes do mercado veio agora bastante aflito dizer que mercado sim mas sem exageros. Disse ele que é preciso ver a questão da qualidade (não sabemos se das clínicas nos supermercados, se do peixe ou dos legumes).

É isto Portugal a chegar ao final de 2014. Um grupo de irresponsáveis ignorantes e inconsequentes entreteve-se a estragar o que funcionava razoavelmente não tendo alcançado nenhum dos objetivos propagandeados.

Deixam, sem dúvida uma marca indelével muito difícil de apagar.

Em saudesa

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